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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ORDEM 2010 _ os factores críticos da novidade

 

FACTOR                   A QUANTIDADE

O REGISTO                 O AUMENTO – RECENTE E EXPLOSIVO – DO NÚMERO DE
                                    ARQUITECTOS LICENCIADOS E DE MEMBROS DA ORDEM
                                    EM PORTUGAL
 

O número anual de licenciados em cursos de Arquitectura praticamente duplicou nas duas últimas décadas


O número de membros da Ordem dos Arquitectos passará de cerca de 10.000 no ano de 2000 para, aproximadamente, 23.000 em 2015  

Consequentemente, nas 3 últimas décadas, o RÁCIO de Arquitectos por 1.000 habitantes praticamente TRIPLICOU 


No contexto internacional, tanto o RÁCIO de ARQUITECTOS como o RÁCIO de ESTUDANTES, é em Portugal dos mais elevados (tendo em conta uma amostra de 10 países). 


Fonte: ARCHITECTURAL PRACTICE AROUND THE WORLD

Col·legi d'Arquitectes de Catalunya, COAC, 2005
THIS RESEARCH IS BASED ON THE INFORMATION SUBMITTED BY THE PROFESSIONAL BODIES THAT REPRESENT THE
ARCHITECTS IN THEIR INDIVIDUAL COUNTRIES WITHIN THE UIA. IN NO CASE DOES THE COL·LEGI D'ARQUITECTES DE CATALUNYA
TAKE RESPONSIBILITY FOR THE VERACITY OF THIS INFORMATION.

PT, PORTUGAL; FR, FRANÇA; GR, GRÉCIA; UK, REINO UNIDO; G, ALEMANHA; NL, HOLANDA; IR, IRLANDA; JAP, JAPÃO; USA, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA; BRA, BRASIL





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

COMPROMISSO ELEITORAL da LISTA B candidata aos ORGÃOS NACIONAIS da OA

Preparação e realização no prazo de um ano de um Congresso Extraordinário da OA para debate alargado e aprovação de resoluções e propostas concretas relativamente aos grandes temas da profissão e à sua estrutura de representação, entre os quais se destacam os seguintes

1. FACE À PROFISSÃO:
·    Preparar e apoiar activamente a classe para assumir as exigências e responsabilidades inerentes ao alargamento progressivo do campo exclusivo de intervenção dos arquitectos à totalidade dos projectos de arquitectura, garantido pela Lei n.º31/2009 para o final de 2014;
·    Apoiar com medidas concretas de enquadramento, formação e/ou certificação o alargamento dos campos do exercício da profissão às novas áreas de revisão de projecto, fiscalização e direcção de obras, certificação térmica e acústica e segurança contra incêndios;
·    Recuperar, alargar e aprofundar as áreas disciplinares que pertencem à formação e à tradição do Arquitecto, como é o caso do urbanismo, do planeamento e do ordenamento do território;
·    Desenvolver contactos com o Instituto da Construção e Imobiliário com vista a analisar as formas de participação dos arquitectos no Plano de Reabilitação Urbana recentemente apresentado;
·    Exigir ao Governo a reposição de tabelas de honorários, que a desatenção e incúria da actual direcção de OA deixou cair, tendo por consequência uma desregulação caótica da prestação de serviços, o que afecta a qualidade da arquitectura e a sua dimensão de interesse público;
·    Desenvolver uma acção sistemática junto da Administração Central, Regional e Local de exigência de respeito pelas normas em vigor em relação à encomenda pública previstas no Código da Contratação Pública (C.C.P.), propondo ao mesmo tempo a revisão, em sede própria, de algumas disposições previstas neste extremamente gravosas para o exercício profissional específico do arquitecto;
·    Trabalhar em soluções de concurso que sejam menos penalizadoras para as equipas e mais inovadoras nos resultados e operacionais para as entidades promotoras, como é o caso por exemplo dos concursos de concepção em duas fases, e garantir melhores condições de acesso dos jovens arquitectos à encomenda pública.

2. FACE À ORDEM:

·     Realizar no prazo de um ano de um Congresso Extraordinário para debate alargado de resoluções e propostas concretas relativas aos vários itens constantes do ponto 1, sujeitando-as previamente à aprovação da classe;
·     Criação da Plataforma Jovem, fórum interno de debate e aconselhamento da direcção em relação a todas as questões que respeita à inserção profissional das gerações mais novas; 
·     Rever o Regulamento de Admissão quanto a critérios, conteúdos e objectivos, de forma a que o estágio se torne numa experiência enriquecedora de inserção profissional no mercado de trabalho e não numa forma cómoda de obter mão-de-obra barata, para o que deverá ser obrigatoriamente remunerado e devidamente acompanhado pela Ordem;
·     Promover o saneamento financeiro da Ordem, tendo como princípio orientador que as quotizações garantam as actividades estatutárias e fazendo depender a realização das restantes da sua sustentabilidade económica e financeira;
·     Rever o actual sistema de quotizações no sentido de o tornar mais justo e equitativo em relação às condições de remuneração dos membros, garantindo incentivos e descontos aos membros em início de carreira;
·     Rever o Código Deontológico em vigor e os meios ao dispor dos conselhos de disciplina no sentido do reforço do papel regulador da Ordem em matéria disciplinar, possibilitando-lhe uma actuação proactiva, exemplar e dissuasora face a casos de manifesta suspeita de violação do estatuto e do regulamento deontológico e não meramente reactiva. 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Perguntas colocadas à Lista B por arquitectos

Pergunta 1: Pagamos 190 euros de cotas anuais. Em 2008 apenas trabalhei para outros arquitectos, não tive nenhum projecto da minha autoria. Acham justo cobrar 190 euros anuais a arquitectos que fazem pelo menos 20 projectos por ano, e cobrar o mesmo valor a quem não faz nenhum da sua autoria, trabalhando apenas para outros? E, uma vez que os valores das cotas são iguais, como é que vê a promoção apenas de alguns arquitectos, em detrimento de outros?
Resposta da Lista B: Defendemos um novo sistema de quotizações que seja proporcional aos rendimentos (por exemplo em função dos escalões do IRS como em França), e com incentivos e descontos vocacionados para os membros em início de carreira (ver folheto da Lista B)
Pergunta 2: Trabalho há mais de 10 anos a recibos verdes para outros arquitectos. A OA considera que usar software ilegal é concorrência desleal, mas não é considerada concorrência desleal pela mesma OA, uma empresa ter empregados a contracto e outra ter empregados a prestação de serviços. Estas questões serão resolvidas, se eventualmente for eleito? Como?
Resposta da Lista B: É difícil concluir que a concorrência desleal passa por questões como as que coloca. Há empresas de muitos tipos, de várias dimensões, que têm empregados com contrato e colaboradores em regime de prestação de serviços ao mesmo tempo, e em última análise tudo depende do vínculo livremente estabelecido pela entidade patronal com o empregado/colaborador. No entanto a vocação da Ordem não são as questões laborais, mais próprias de um sindicato, cuja criação apoiaremos. A Ordem deve combater sim a desregulamentação do mercado de trabalho actualmente existente por incúria e desleixo das últimas direcções da Ordem, que deixaram que fossem suprimidas as tabelas de honorários e não promovem a transparência e a igualdade de oportunidades dos concursos. Com isso criar-se-á melhores condições às empresas para que possam proporcionar melhores meios aos seus empregados/ colaboradores.
Pergunta 3: Por receber menos de 1000 euros e ter família para sustentar e casa para pagar, e dando prioridades dos bens essenciais, as cotas da OA ficaram em dívida 3 meses. Recebi em casa uma circular a ameaçar de tribunal, se entretanto não saldasse a minha dívida de 47,5 euros (duma Ordem que deveria defender os meus interesses...). Acha que esta situação é digna duma ordem que supostamente defende os direitos dos seus associados?
Resposta da Lista B: Sendo uma obrigação de todos os membros pagar as suas quotas, mais importante do que medidas punitivas como as que refere e que parecem claramente desajustadas aos fins em vista, o que é preciso é que, ao fazê-lo, cada membro sinta que a sua Ordem utiliza o que paga para de facto defender os interesses de todos os arquitectos e não apenas de alguns e que a Ordem lhe dá o apoio de que precisa para o exercício da profissão. E isso actualmente não acontece, mas certamente passará a acontecer se ganharmos as eleições.
Pergunta 4: Dado o elevado valor cobrado anualmente, não acha que as formações deveriam ser em maior número, e a preços bem mais acessíveis, senão mesmo gratuitas, e descentralizadas do Porto e de Lisboa?
Resposta da Lista B: O tipo de formação, as condições e a forma como esta é dada actualmente pelas secções regionais terá que ser reavaliada em termos qualitativos e quantitativos em função das verdadeiras necessidades da profissão no seu exercício, tendo em vista também a prática existente em outros países europeus com muito mais experiência neste domínio.
Pergunta 5: Gostaria de saber o que acha de terem acabado com o Cartão de Arquitecto, que servia de cédula profissional (criaram uma espécie de "Cartão Modelo" para descontos, que na realidade não serve para nada!), e o substituíram por "papéis" semestrais, que somos obrigados a solicitar de 6 em 6 meses. Ainda neste ponto, gostaria de saber se faz ideia para que servem as delegações regionais e a relação custo/benefício da sua existência. Não seria mais vantajoso para quem mora na Madeira ou Açores poder pedir e ter na hora o certificado da OA, em vez de esperar 15 dias que cheguem pelo correio?
Resposta  da Lista B: A questão da criação de um cartão da Ordem é mais uma promessa eleitoral da actual direcção que ficou por cumprir. Mas talvez mais importante do que ter um cartão é ter um sistema electrónico do tipo do que tem a Ordem dos Advogados, o qual lhes permite fazer uma série de operações por via electrónica. Quanto à questão das delegações regionais há que avaliar com os colegas que estão nas várias regiões a sua situação, sem perder de vista a necessidade de descentralizar os serviços da Ordem e de aproximar dos membros, embora sem por em causa a sua sustentabilidade financeira.
Pergunta 6: Apesar de não obrigarem a um estágio remunerado, cobraram-me 300 euros (!!!) para ingressar na OA. Acha correcto? Isto faz com que o "estagiário" seja descartável, sendo substituído por outro, numa viciante procura de mão-de-obra gratuita. Portanto, o cenário é acabar o estágio e sermos despedidos, independentemente do nosso valor e disponibilidade.

Resposta  da Lista B: A questão do Estágio e mais genericamente do acesso à profissão é para nós uma questão da maior importância. Ela deverá ser repensada à luz do que foi a experiência destes 9 anos de aplicação do Regulamento em vigor, no sentido de, como dizemos no nosso programa, o estágio "se tornar numa experiência enriquecedora de inserção profissional no mercado de trabalho" e não numa forma de encontrar mão-de-obra barata. Defendemos além disso que o estágio deve ser remunerado e acompanhado pela Ordem, quer através de mecanismos de controle como o plano de estágio, relatório, tarefas a desempenhar obrigatoriamente, quer inclusive através de visitas ao local de estágio

Talvez as respostas dadas sejam menos concretas do que gostariam, mas não temos fórmulas mágicas para resolver todos os problemas. Temos as ideias e os princípios orientadores para a condução dos destinos da Ordem, mas acreditamos que só com o envolvimento dos associados, através do debate interno, organizado em diferentes níveis, é possível encontrar as melhores soluções.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Entrevista dada à revista A21, conduzida pelo Director Arquitecto José Romano.

Entrevista a José Charters Monteiro e João Belo Rodeia, candidatos a Presidente do Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos – Eleições para o Triénio 2011-2013.


Entrevista a José Charters Monteiro


1 – O que o leva a candidatar-se e quais os objectivos principais da sua candidatura?

R – O principal motivo da nossa candidatura é a constatação da total incapacidade das últimas direcções da Ordem, e em particular da actual, para darem resposta às necessidades de uma classe profissional que hoje ronda os 18 000 arquitectos – que constituem um recurso do país em termos de conhecimento e de inovação – a que se somam anualmente mais cerca de 1000. Os principais objectivos da candidatura são pois a procura de soluções para a grave situação de sub-ocupação em que se encontra a profissão, com particular incidência nas gerações mais novas, mas também o combate à desregulamentação do mercado e do exercício da profissão na área de projecto levada a cabo nos últimos anos ante a total passividade e indiferença da actual Direcção da Ordem. Passividade que se estende à falta de intervenção, pública e propositiva, no tocante aos grandes problemas de ordenamento do território e das nossas cidades, privadas de uma Política Pública de Arquitectura, que afectam a nossa economia e qualidade de vida.


2 – Vivemos uma crise económica sem paralelo na nossa história. Como é que Ordem dos Arquitectos (OA) pode ajudar os profissionais a superarem da melhor forma esta época?

R – No nosso entender há um enorme trabalho de preparação e de apoio à classe em relação às exigências e responsabilidades inerentes ao alargamento progressivo do campo exclusivo de intervenção dos arquitectos à totalidade dos projectos de arquitectura, que o Decreto-Lei n.º31/2009, que revoga ao fim de dezenas de anos o D.L. 73/73, fixa para o final de 2014. Esse trabalho está totalmente por fazer. Dir-se-ia que a actual Direcção, publicado o D.L. 31/2009, deu a sua missão por concluída. Por outro lado é necessário apoiar com medidas concretas de enquadramento, formação e/ou certificação o alargamento dos campos do exercício da profissão a novas áreas, como a fiscalização e direcção de obras, a revisão de projecto, a certificação térmica e acústica, segurança contra incêndios, etc. Por outro lado é ainda necessário recuperar e aprofundar áreas disciplinares que pertencem à formação e à tradição do Arquitecto, como é o caso do urbanismo, do planeamento e do ordenamento do território e que têm sido progressivamente abandonadas.
Os arquitectos podem tornar-se ainda mais úteis à sociedade e, precisamente, em aguda crise económica e social.
Outro aspecto vital é a exigência ao Governo da reposição de tabelas de honorários, que a desatenção e incúria da actual direcção de OA deixou cair, tendo por consequência uma desregulação caótica da prestação de serviços, o que afecta a qualidade da arquitectura e a sua dimensão de interesse público. Com efeito há que referir que, ao contrário do que tem sido dito, as tabelas de honorários são permitidas na União Europeia desde que publicadas pelos Governos, como acontece na Alemanha e acontecia em Portugal até há 2 anos, pelo que não há desculpa para uma tal omissão. É também de grande importância uma intervenção activa na área dos concursos e da encomenda pública, como poderemos referir adiante.


3 – Acha pertinente e/ou apoia a criação de um sindicato dos arquitectos?

R – A situação laboral de uma boa parte dos arquitectos, em particular no que respeita às gerações mais novas, é de facto muito penalizante e desregulada, exigindo uma intervenção que não cabe, no entanto, nas atribuições da OA, a não ser que estejam em causa questões do foro disciplinar. Pensamos pois que faz cada vez mais sentido a existência de um sindicato de arquitectos que ajude a resolver a conflitualidade daí decorrente, a cuja criação não queremos nem nos devemos opor, estando perfeitamente disponíveis para apoiar e acompanhar, desde que essa iniciativa surja.


4 – A encomenda pública em Portugal está subjugada a interesses particulares. O que é que a Ordem pode e deve fazer para promover a igualdade de oportunidades e a livre concorrência entre arquitectos? Como avalia o passado recente desse ponto de vista?

R – A OA tem que desenvolver uma acção sistemática junto da Administração Central, Regional e Local no sentido de exigir o respeito pelas normas em vigor em relação à encomenda pública, o que ainda não foi feito. Por outro lado é indispensável exigir em sede própria a revisão de algumas disposições previstas no Código da Contratação Pública (C.C.P.) extremamente gravosas para o exercício profissional específico do arquitecto.
Consideramos ainda que é necessário trabalhar em soluções de concurso que sejam menos penalizadoras para as equipas, mais inovadoras nos resultados e operacionais para as entidades encomendadoras, do que as que actualmente se praticam em Portugal; por vezes, em fase de concurso, quase se pedem projectos de execução completos, com consequências muito negativas, em termos de amadurecimento das soluções e da própria sobrevivência das empresas e ateliers. A prática de concursos de concepção em duas fases, já experimentada entre nós, como existe na Alemanha e em outros países, é um bom exemplo, sem esquecer que a intervenção da OA nos concursos, através dos seus delegados cuja função deve ser dignificada, se destina fundamentalmente a garantir a livre concorrência e a igualdade de oportunidades e não a influenciar o júri neste ou naquele sentido. Por último pensamos que é necessário que os mais novos tenham efectivas condições de acesso aos concursos.
Quanto ao passado, a recente polémica em torno da Parque Escolar e as posições dúbias da Direcção da Ordem na pessoa do seu actual Presidente são suficientemente eloquentes acerca de uma prática e de processos totalmente contrários às normas por que se deve pautar a OA nesta matéria.

5 – Quais serão os objectivos políticos da Ordem depois da revogação do Decreto 73/73 e da entrada em vigor da Lei 31/2009?

R – Tal como já referi, os objectivos da Ordem, que são profissionais, centram-se por agora, fase à terrível crise que atravessamos, na procura de soluções para a grave situação de sub-ocupação em que se encontra a profissão, com particular incidência nas recém-chegadas gerações de arquitectos, a par do combate à desregulação do mercado e do exercício da profissão na área de projecto. E também na abertura da profissão a outras formas de exercício que não o projecto; e isso passa também por debates conjuntos com as faculdades de arquitectura no sentido de promover a aproximação da formação académica às necessidades do país e da profissão.


6 – A admissão à Ordem será alterada, ou irá manter-se como está?

R – É nosso entender que o processo de admissão à OA, tal como hoje existe, é contraproducente e em grande parte responsável pelo afastamento das gerações mais novas em relação à organização profissional. Deverá ser repensada quanto a critérios, conteúdos e objectivos, à luz do que foi a experiência destes 9 anos de aplicação do Regulamento em vigor, no sentido de, como é dito no nosso programa, o estágio "se tornar numa experiência enriquecedora de inserção profissional no mercado de trabalho" e não numa forma cómoda de fornecer mão-de-obra barata. Defendemos além disso que o estágio deve ser remunerado e acompanhado pela Ordem, quer através de mecanismos de controlo, como o plano e relatório de estágio, com tarefas e procedimentos a desempenhar obrigatoriamente, quer mediante visitas da OA aos locais de estágio, sempre que se revelar necessário.


7 – A maioria dos arquitectos tem hoje menos de 40 anos e exerce actividade em condições de grande precariedade, quando não mesmo sem qualquer remuneração. O que fará para emprestar dignidade à profissão e terminar com a exploração dos estagiários e jovens arquitectos?

R – As medidas que acima propomos poderão em grande parte melhorar o ambiente que actualmente se vive na profissão. A situação que refere tem sido teimosa e interesseiramente ignorada pela actual Direcção da OA que se recandidata como Lista A. Queremos proporcionar soluções com a participação das partes envolvidas.


8 – A Ordem não tem protagonismo público. Não é um actor relevante na cena política. Acha que esse é o perfil correcto ou entende que a vocação da AO é ter uma participação no debate público análogo às ordens dos médicos, engenheiros ou advogados?

R – Tem de facto havido um grande, um enorme deficit de intervenção por parte da OA, em particular nos últimos três anos. Foi desprestigiante e penoso ver por exemplo a total ausência de protagonismo da OA nos grandes debates que tiveram lugar no país acerca da localização do novo Aeroporto de Lisboa, ou sobre o TGV e as grandes redes de transporte, protagonizados em pleno pela Ordem dos Engenheiros por falta de comparência da Direcção da OA. E também sobre as grandes opções políticas para o território e as Cidades, sobre o estado e recuperação do património construído, mesmo o mais recente, sobre o desmesurado parque habitacional, sem compradores nem utilizadores. Como se os arquitectos não tivessem também uma palavra importante a dizer sobre estes temas, como se o território e o seu ordenamento tivessem definitivamente deixado de fazer parte da nossa prática profissional, reduzida apenas ao "objecto arquitectónico" e à sua narcisística exibição em mostras.
É evidente que a nossa posição é radicalmente diferente. Tal como defendemos no nosso programa, pretendemos "afirmar a posição da Ordem na discussão política e institucional em todas as áreas temáticas que envolvam a qualidade do ambiente construído e a prática profissional dos Arquitectos, intervindo junto da opinião pública, de forma activa e informada, no debate das grandes questões nacionais do desenvolvimento estratégico do País e do seu território."


9 – Defende a existência de uma formação contínua, ao longo da carreira, obrigatória para todos os arquitectos?

R – A formação contínua é indispensável para garantir a actualização de conhecimentos por parte dos profissionais em exercício e, assim, manter a qualidade da sua intervenção. Ela já é obrigatória em alguns países da UE e é também nossa intenção promovê-la de forma sistemática e planificada em colaboração com as secções regionais, embora e para já de forma não obrigatória. Uma tal formação tem no entanto que se pautar por elevados padrões de qualidade e se a OA não tiver condições para a fornecer, então o melhor será recorrer a entidades externas através de protocolos de colaboração.


10 – Defende a admissão a um colégio de especialidade da OA como condição necessária para o exercício de um acto próprio de urbanismo ou de arquitectura?

R – De forma nenhuma como condição necessária. Somos totalmente contra essa visão dos colégios de especialidade, que é aliás contrária ao Estatuto da OA. Ao contrário do que acontece noutras profissões, como os Médicos ou Engenheiros, a formação dos arquitectos é generalista e todos os arquitectos podem por isso praticar todos os actos próprios da profissão sem qualquer restrição. Assim, os colégios de especialidade devem ser fóruns, locais de debate em áreas específicas da profissão, ao mesmo tempo que podem ter importante função de aconselhamento da Direcção nessas áreas.

11-11-2010
José Charters Monteiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

COMPARAÇÃO dos modelos PROGRAMÁTICOS das LISTAS candidatas aos ORGÃOS NACIONAIS da OA (2011/2013):

O ASSUMIR DAS DIVERGÊNCIAS

Apresentação das Listas: apoiantes ilustres versus anónimos
A Lista A segue o modelo tradicional de suporte da candidatura, convocando nomes consagrados e figuras tutelares como apoiantes e evidenciando a sua submissão à lógica de arquitecto/autor e o afastamento da realidade da classe, suas formações, suas práticas e sobretudo, suas necessidades e expectativas.
A Lista B, pelo contrário, assume a diferenciação relativamente aos modelos passados, apostando no anonimato e, em particular, na sua capacidade para representar a classe na sua multiplicidade e diversidade - profissionais, culturais, geracionais e/ou outras.
Missão: descodificar a aparente convergência
A Lista A afirma como lema a “ARQUITECTURA PARA TODOS”, secundado pelas preocupações de “enfrentar a crise, construir o futuro”, enquanto a Lista B aposta no “MUDAR A ORDEM, REFORÇAR A PROFISSÃO, PELOS ARQUITECTOS, PELO INTERESSE PÚBLICO”. Estas declarações parecem sugerir compatibilidade entre as listas no que respeita a democratização social da Arquitectura (para toda a sociedade) e repartição das oportunidades do mercado entre associados (para todos os profissionais). Haveria então que perguntar à Lista A: Que Arquitectura, Que Arquitectos, Como e para Quem?
De facto, a Lista A valoriza o “enfrentar a crise”, integrando medidas directas e dominantemente orientadas para a intervenção no mercado (encomenda, marketing, contactos internacionais, pressão institucional), e “construir o futuro”, expressão abstracta e enigmática, sem tradução directa nas linhas de acção ou medidas. Está implícita a noção de que a OA pode ser uma plataforma de dinamização do mercado cabendo, mais uma vez, questionar a Lista A quanto à actual promiscuidade entre o núcleo próximo da direcção da Ordem e o mercado?
A Lista B aposta na afirmação da profissão, dos arquitectos e do interesse público. Privilegia, como desígnio fundamental desta candidatura, a dignificação da profissão nos seus diferentes modos de exercício, a defesa da diversidade dos associados, destacando a importância do interesse público da actividade do arquitecto (em detrimento da batalha pelo acesso ao mercado). Com uma perspectiva muito mais abrangente da actividade, pretende valorizar lógicas profissionais que se desenvolvem para além do projecto e representam a grande maioria dos membros. 
Texto de Orientação Estratégica: as diferenças de posicionamento
A Lista A assume uma estratégia de continuidade, iniciando o seu texto com um elogio ao anterior mandato, deixando logo em aberto a capacidade de alterar o rumo no próximo triénio. Declara a importância da selectividade das acções a empreender, facto contradito pelo Programa extenso e pouco focalizado, não demonstrativo da coerência entre o texto geral e as linhas de actuação. Finalmente, valoriza a união de “facções” nunca antes reunidas e a diversidade da equipa quando esta se mantém centrada em associados ligados dominantemente à actividade de projecto de arquitectura em contexto liberal, muito sujeitos à lógica da autoria e da afirmação de protagonismos junto do mercado à custa da sua inserção na Ordem.
A Lista B tem uma lógica de ruptura e reforça a necessidade de mudança. Denuncia o desconhecimento da anterior direcção relativamente à realidade da classe e demonstra preocupação com sectores profissionais até aqui totalmente marginalizados nas estratégias da Ordem, em articulação com o imperativo de afirmar a defesa do interesse público da arquitectura. Aposta na dignificação das condições de trabalho da grande maioria dos membros, actualmente muito degradadas e sem qualquer defesa. Propõe uma equipa muito diversa ao nível das formações, das práticas, das gerações e declara a sua abertura para trabalhar com os outros órgãos eleitos.
Eixos e Linhas de Actuação: distinguindo os enfoques
No caso da Lista A, os eixos/linhas de actuação são muito “enxutos” e complementados pela listagem de medidas, traduzindo-se num Programa muito extenso mas aparentemente mais operacional. Inversamente, a Lista B desenvolve os conteúdos substanciais de cada eixo e linha de actuação, assumindo um Programa mais orientado por princípios, valores e objectivos. Genericamente, os dois primeiros eixos estruturantes da Lista A centram-se no mercado e nas condições de exercício da profissão, equivalendo às matérias tratadas no Eixo 1 da Lista B. O 3º e o 2º respectivamente das listas A e B tratam das políticas públicas, sendo o último eixo de ambas as listas dedicado aos serviços da Ordem. Comparando conteúdos, dir-se-ia que:
·         A leitura crítica dos 1º e 2º eixos da Lista A evidencia sobreposições mas, sobretudo, a focalização do Programa na abertura do mercado do projecto de arquitectura e na melhoria das condições de exercício da profissão mas também na óptica da prática tradicional (construção/edificação, seguros, autorias).
·         O enfoque da Lista B é, em particular, na abertura do mercado de emprego e valorização e apoio às diferentes formas de exercício da profissão, dando particular destaque aos jovens arquitectos e aos arquitectos da Administração Pública.
·         O 3º eixo de ambas as listas trata, no essencial, das políticas públicas e da divulgação da arquitectura junto de várias instâncias. As principais distinções entre os Programas assentam na integração neste eixo, por parte da Lista B, das questões associadas ao reforço do papel da OA na defesa da encomenda pública e, por parte da Lista A, das acções de divulgação preconizadas, com uma lógica de total continuidade relativamente à prática actual (públicos restritos, autores “consagrados”, arbitrariedade da selecção, total desajustamento relativamente à realidade e expectativas da classe).
·         O último eixo de cada uma das listas dedica-se às questões de organização interna da OA, sendo que a Lista A aponta várias medidas de reforço de eficácia dos serviços financeiros e de comunicação com os associados enquanto a Lista B integra neste eixo as acções associadas à política cultural e a defesa de uma ruptura relativamente às anteriores práticas nesta matéria.

DUAS LISTAS, DOIS PROGRAMAS, DUAS EQUIPAS, DUAS VISÕES DO PAPEL DA ORDEM NA DEFESA DA ARQUITECTURA E DOS ARQUITECTOS PORTUGUESES